EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

Para o 12º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

A ligação com o mar começa por ser um factor geográfico comum a todos os países de língua portuguesa, mas, como acontece com alguns “factores geográficos”, está muito para além disso. Com efeito, a forma como estamos no mundo, a forma como somos, sentimos e pensamos, não é apenas afectada pelo factor tempo – apesar deste ser o mais óbvio –, mas, igualmente, pelo factor espaço. Já foi muitas vezes referida, por exemplo, a influência da experiência espacial do deserto no pensamento árabe, em particular no que este tem de mais espiritual.

Partindo desse factor geográfico – de a ligação ao mar ser comum a todos os países de língua portuguesa –, procurámos, pois, neste número da NOVA ÁGUIA, pensar a ligação entre o mar e a Lusofonia, sugestivamente já referida por Vergílio Ferreira, quando escreveu: “Da minha língua vê-se o mar”. Em que medida o mar emerge na nossa língua, na forma como estamos no mundo, na forma como somos, sentimos e pensamos, eis, pois, em suma, o repto que lançámos aos nossos colaboradores, também eles unidos pelo mar por esse mundo fora.

Uma vez mais, como sempre tem acontecido, teve esse repto ampla resposta. Publicamos aqui cerca de duas dezenas de textos que, por diversas vias, têm em vista esse horizonte. De resto, já em números anteriores o havíamos assinalado, ainda que de forma subliminar. O nosso pensamento parece-nos ter, com efeito, essa marca “marítima” – daí o seu anti-cousismo, o seu anti-substancialismo, nalguns autores particularmente evidente (apenas para dar um exemplo, refira-se o conceito de “insubstancial substante”, de José Marinho), em contraponto com os pensamentos mais “continentais”, mais ligados à terra, ou seja, à fixidez e às fronteiras – e, por isso, menos propensos à mistura e à mestiçagem, marca maior da Lusofonia.

Como sempre tem acontecido, não se esgota este número na abordagem da temática central. Assim, publicamos ainda alguns textos sobre Leonardo Coimbra, esse pensador anti-cousista por excelência, por nós homenageado no número anterior, por ocasião dos 100 anos da publicação da sua obra O Criacionismo. A par de Leonardo Coimbra, evocamos uma série de outros autores: de Agostinho da Silva, o grande pensador, entre nós, da Lusofonia, até Teixeira de Pascoaes, o poeta maior da “Renascença Portuguesa” (cujo centenário celebrámos em 2012), passando, entre outros, por Fernando Pessoa, Jaime Cortesão e João de Deus.

Isto para além das secções já clássicas: “Outros Voos”, com a habitual colaboração de Adriano Moreira; “Rubricas”, desde o nº 9 da NOVA ÁGUIA reforçadas com as “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão; “Bibliáguio”, onde destacamos, a fechar, a justa homenagem que é feita, por António Cândido Franco, ao poeta Couto Viana; “Noticiáguio”, onde, desde logo, evocamos os recém-falecidos Manuel Luciano da Silva e Elsa Rodrigues dos Santos, para além de publicitarmos o Programa do I Congresso da Cidadania Lusófona, onde estaremos presentes; sem esquecer o “Poemáguio”, onde, como sempre tem acontecido desde o primeiro número da Revista, publicamos uma série de poemas – destaque-se, neste número, a publicação de um poema de António Telmo, bem como um poema de homenagem a Manuel António Pina.

Como também tem sempre acontecido, ficaram muitos textos por publicar – desde logo, o já aqui anunciado dossiê sobre o poeta Ramos Rosa. Procuraremos publicá-lo no próximo número da revista, onde a figura em destaque será António Quadros, por ocasião dos 20 anos da sua morte, a par de outros autores que evocaremos, nomeadamente: Orlando Vitorino e Eduardo Abranches de Soveral (ambos falecidos há 10 anos), Heraldo Barbuy (nos 100 anos do seu nascimento, em São Paulo) e Silvestre Pinheiro Ferreira (nos 200 anos do início das suas famosas Prelecções Filosóficas no Real Colégio de S. Joaquim, no Rio de Janeiro). Em 2013, a NOVA ÁGUIA manterá, assim, o seu voo cada vez mais ascendente e “marítimo”, não fosse o mar, precisamente, nas lapidares palavras de António Quadros, “a imagem eterna do caminho”.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

ÍNDICE

Editorial…5
O MAR E A LUSOFONIA: “DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR”
Maria Luísa de Castro Soares, A OMNIPRESENÇA DO MAR NA CULTURA PORTUGUESA: SUA EXPRESSÂO NA LITERATURA…8
Miguel Real, O MAR PORTUGUÊS…17
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A POESIA PORTUGUESA: O MAR E A LUSOFONIA…23
Rodrigo Sobral Cunha, A EUROPA CULTA E O MAR PORTUGUÊS…25
Samuel Dimas, EPIFANIA: DA MINHA SERRA VEJO O MAR DO MUNDO, ILUMINADO PELA ESTRELA DA REDENÇÃO UNIVERSAL…31
Rui Martins, O MAR COMO DESÍGNIO NACIONAL…35
Pedro Cipriano, O MAR E O SER PORTUGUÊS…38
Luís G. Soto, A MULHER E O MAR…39
Lúcia Helena Alves de Sá, AO MAR LARGO, LONGO... QUE A VIDA É CURTA…43
José Manuel Malhão Pereira, A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO…45
José Leitão, DEAMBULAÇÃO…47
Joaquim Miguel Patrício, NÃO CULPEM NEM SACRALIZEM O MAR…49
Joaquim Domingues, E NÃO SE OUVE O MAR?!...53
Isaque de Carvalho, ORFEU TRANSATLÂNTICO…54
Delmar Domingos de Carvalho, O MAR NO UNIVERSALISMO LUSÓFONO…60
Carminda H. Proença, A BAÍA DE SESIMBRA E A ALMA LUSA…64
Carlos Vargas e Luísa Janeirinho, O MAR, O AMOR E A LUSOFONIA…65
António Carlos Carvalho, AQUI À ESCUTA COM O MAR AO FUNDO…66
Almerinda Pereira, ARAR O MAR…68
AINDA SOBRE LEONARDO COIMBRA
Ângelo Alves, O CRIACIONISMO DE LEONARDO COIMBRA NA CONJUGAÇÃO DE IDEALISMO E REALISMO…74
António Braz Teixeira, O DIÁLOGO CRÍTICO DE LEONARDO COIMBRA COM BRUNO, JUNQUEIRO E PASCOAES…82
Manuel Ferreira Patrício, APROXIMANDO LEONARDO COIMBRA E VIKTOR FRANKL…92
Luís Tavares, HOMENAGEM A LUÍS DO ESPÍRITO SANTO, LEITOR DE LEONARDO COIMBRA…98
Joaquim Domingues, A TEORIA E A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO EM LEONARDO COIMBRA…99
Carlos Aurélio, CRIACIONISMO: OCIDENTE, ARTE E VIDA POÉTICA…103
EVOCAÇÕES
A HONESTIDADE DE AGOSTINHO DA SILVA, por José Lança-Coelho…110
MEMÓRIAS AÇORIANAS DE AGOSTINHO DA SILVA,VITORINO NEMÉSIO E ALBERTO MACHADO DA ROSA, por Eduardo Ferraz da Rosa…112
NOTAS SOBRE A PRESENÇA ARABICO-ISLAMICA NA IBERIA DE FERNANDO PESSOA, por Fabrizio Boscaglia…123
AS LINHAS DE FORÇA DO PENSAMENTO HISTORIOGRÁFICO DE JAIME CORTESÃO, por Nuno Sotto Mayor Ferrão…130
SERIA DEUS UM ARTISTA? UM BREVE OLHAR SOBRE O MISTICISMO NA POESIA DE JOÃO DE DEUS, por Elisabete Francisco…136
LEONIDAS HELMUTH BAEBLER HEGENBERG (1925-2012), por José Maurício de Carvalho…139
MANUEL ANTÓNIO, O POETA DO MAR DA GALIZA, por Maria Seoane Dovigo…142
A UNIVERSALIDADE DE NUN’ALVARES PEREIRA, por José Eduardo Franco…144
O MAR E O MARÃO: A NATUREZA POETICA DE SOPHIA E DE PASCOAES, por Nuno Freixo…146
VEIGA PIRES: UM HOMEM, MUITAS VIDAS, por Alfredo Ribeiro dos Santos e Rui M. Gil da Costa…148
OUTROS VOOS
Adriano Moreira, ENTRE O PODER DA PALAVRA E A PALAVRA DO PODER…162
Constança Marcondes César, VULNERABILIDADE E FINITUDE…166
Elter Manuel Carlos, ENSAIO SOBRE O SENTIDO ÉTICO-ESTÉTICO DA LITERATURA E DA EDUCAÇÃO LITERÁRIA EM CABO VERDE…169
João Pereira de Matos, ÀS PORTAS DE ISHTAR…176
Manuel Ferreira Patrício, FILOSOFIA PARA CRIANÇAS NO ESPÍRITO DA FILOSOFIA SITUADA…178
Maria Leonor Xavier, O VALOR DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA…181
J. Pinharanda Gomes, GLOSAS DE CULTO E CULTURA…187
Rui Tinoco, A CITAÇÃO CIENTIFICA COMO ARMA SIMBOLICA: CONSEQUENCIAS CULTURAIS…194
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…200
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…202
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…213
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…214
CARTAS SEM RESPOSTA, de João Bigotte Chorão…215
BIBLIÁGUIO
O QUE É O OCIDENTE?, por Renato Epifânio…220
SOBRE A SAUDADE, por José Almeida…221
AMORIM DE CARVALHO E DELFIM SANTOS, por Mourão Jorge…222
TIAGO VEIGA. UMA BIOGRAFIA, por João Rasteiro…223
DE CABINDA AO NAMIBE, por J.P.A. Alves Ambrósio…228
O ETERNO RETORNO DO FASCISMO, por Eugénio Montoito…238
PODER E MORALIDADE, por Luiz Paulo Rouanet…240
FÁRMACO, por Joel Henriques…244
TERRA PROMETIDA, por António José Borges…246
AUTOS DO FOGO ANALOGICO, por Pedro Martins…248
ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA: MEMORIAL DO CORAÇÃO, por António Cândido Franco…250
NOTICIÁGUIO
ELSA RODRIGUES DOS SANTOS (1939-2012)…256
MANUEL LUCIANO DA SILVA (1926-2012)…256
XIX PRÉMIO CARVALHO CALERO…258
I CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA : PROGRAMA…258
POEMÁGUIO
Joaquim Carvalho, VIDA DE LUZ E DE SOMBRA (A CAMILO CASTELO BRANCO)…7
António José Borges, ESCOL…64
Delmar Maia Gonçalves, EM DECLÍNIO…65
Carlos José Maria Gonçalves, COMO CÉU NO MAR…68
Gabriela Correia, PORTUGAL…68
Maurícia Teles da Silva, DE FINISTERRA A MAR…69
Henrique Madeira, AS VOZES DO MAR…69
Sofia Varino, MAR NOVO…70
Helena Sanchez, LÁGRIMAS NO SAL…71
Maria Luísa Francisco, DA TUA CASA VÊ-SE O RIO…71
Marco Aurélio, ALENTEJO…71
Renato Epifânio, DO NOSSO MARRITÓRIO…72
Jesus Carlos, BRASIL DE PÊRO VAZ DE CAMINHA…73
Maria Leonor Xavier, TEMPO SUSPENSO...109
Eduardo Aroso, D. SEBASTIÃO EM MIM/ E, NO ENTANTO, ELA FALA-SE!/ DAS EUROPAS…161
Jaime Otelo, SONETO III/ SONETO IV…195
Samuel Dimas, NO SAUDOSO VOO…/ METÁFORA/ CONVERSÃO/ METAFÍSICA/ POETAS DO MAR E DO DESERTO…196
Catarina Inverno, FRUTOS EM FLOR…198
António Simões, QUANDO SE VIU…198
Abé Barreto Soares, CRIANÇAS PALESTINIANAS…199
João Canha Hespanhol, PARTO A MEIO A ROMÃ E...218
António Salvado, ANOS SE LEVA…219
António Manuel Couto Viana, ESTERTOR…254
António Telmo, AO SENHOR DOS MUNDOS…254
João Rasteiro, ESPERA UM POUCO (AO MANUEL ANTÓNIO PINA)…255
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

Apresentação da NOVA ÁGUIA 11

Apresentação da NOVA ÁGUIA 11
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NOVA ÁGUIA: SESSÕES DE APRESENTAÇÃO

19.03.13 - 17h00: Palácio da Independência (Salão Nobre)
02.04.13 - 11h00: Sociedade de Geografia de Lisboa
05.04.13 - 18h00: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
06.04.13 - 17h00: Biblioteca Municipal de Elvas
08.04.13 - 20h30: Casas das Campas (Pontevedra, Galiza)
09.04.13 - 19h00: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
13.04.13 - 18h30: Livraria Adrião (Mangualde)
14.04.13 - 19h00: Casa do Fauno (Sintra)
20.04.13 - 17h00: Faculdade de Direito da Universidade do Porto
27.04.13 - 15h00: Casa do Bispo (Sesimbra)
04.05.13 - 21h30: Associação Nova Cultura (Montargil)
08.05.13 - 18h30: Livraria Bertrand Chiado
10.05.13 - 18h00: Biblioteca Municipal de Vila Real de Santo António
10.05.13 - 19h30: Chalé Bela Mandil (Olhão)
13.05.13 - 14h30: Auditório da Escola Básica e Secundária de Carcavelos
18.05.13 - 23h00: Museu do Trabalho (Setúbal)
22.05.13 - 18h00: Universidade Católica Portuguesa
26.05.13 - 17h00: Casa Mantero (Sintra)
04.06.13 - 17h00: Palácio da Independência (Sala Antão de Almada)
10.06.13 - 12h00: Hotel Real Palácio
16.06.13 - 15h30: Casa do Fauno (Sintra)
26.06.13 - 17h30: Casa dos Bicos (Fundação José Saramago)
09.07.13 - 18h30: Casa Fernando Pessoa

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Allariz (Galiza), Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Chaves, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

RTP África

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas

À venda nas melhores livrarias do país.

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Ao Arnaldo Norton, reflexão sobre o Império e a Estratégia Imperial (I)


Caro Arnaldo Norton, impensada e solitariamente levantei a luva da sua importantíssima provocação, e eis-me agora com um mundo de coisas para treplicar. Tantas, na verdade, que tenho de começar por picar os pontos essenciais da pergunta (múltipla) que lançou e, descendo dos princípios para a confusa realidade quotidiana, responder hierarquizando as questões.

Partamos assim do Império, que sendo o Fim é o melhor lugar do Princípio.

Eu não disse que Pessoa não estimasse e admirasse Vieira; não acrescentei - mas digo-o agora - que duvido de que Vieira estimasse as ideias de Pessoa, se as pudesse ter conhecido (vou manter arredada por ora a Terceira Pessoa da nossa profética trindade, o Agostinho). E a razão funda desta desestima é a de que Vieira era católico, enquanto Pessoa - conforme o último livro que ia lendo - era ou fazia-se (nunca o saberemos) teosofista, neo-pagão, admirador de Crowley, pseudo-templário ou invocador de diversas serpentes; coisas perdoáveis ou estimáveis num artista (e num génio) mas tudo coisas a ver com cautela (porque há caminhos que não têm regresso) se entrarmos nas vias de conhecimento, gnose ou revelação (que não são já as da teologia e da metafísica, racionais ainda) mas as do profetismo, do esoterismo, do ocultismo ou do misticismo (deixo a cada leitor a sua escolha pessoal).

Ora para Vieira o V Império há-de ser a culminação da História na redenção da humanidade (e da Criação), e portanto há-de ser obra divina; o fim da cisão, da falha, do abismo que duram desde a fundação do mundo. É, em termos cristãos, o mistério do Oitavo Dia: coroação da tripartida Obra de Deus na Criação do Pai, na Redenção do Filho, na Consolação Nupcial e Final do Espírito Santo.

Já para Pessoa, o V Império há-de ser uma coisa inteiramente outra: não consegue ele conceber, perdido sempre nos seus "caminhos da serpente", outra coisa que não a auto-iluminação pessoal, a auto-elevação pessoal de cada homem a uma condição "angélica", uma vez que Deus não falará nunca, não mostrará nunca a Sua face (não porque o não queira, mas porque a não tem: "o Cristo não é mentira, mas (...) é da essência do Cristo não poder ser encontrado"). O Império será, naturalmente, a morada - ou a alma colectiva - dos homens tornados plenamente conscientes de que, para serem como Deus (ou para prescindirem da sua insuportável ausência) hão-de ser tão múltiplos que uma só Face também já não tenham.

Compare-se isto com a visão católica de Vieira: a desvairada multidão de Povos que Portugal ajuntou, na "globalização" das Descobertas (ante-anunciada no Índio que uma pintura manuelina apresenta como um dos Reis Magos) é, essencialmente, a re-união do Único Povo (disperso na História) sob a égide do rei do mundo, delegado terreno da Única Fonte (que é o Amor infinito, divina forma do Nada de onde brota todo o Ser).

Vale a pena, a meu ver, pensar nisto (pensar aqui, quero eu dizer) porque aquilo que seja para nós o Império condiciona aquilo que veremos como o caminho para o atingir: quer do ponto de vista do caminho pessoal para a santidade ou a iniciação (esse, não nos ocupa aqui), quer do ponto de vista do caminho colectivo: aquilo a que chamarei (para a distinguir das pequenas tácticas da guerrilha política) a Estratégia Imperial.

E a Estratégia Imperial (por ser diferente o lugar que nela a nossa alma tem) não é a mesma, diria mesmo que é a oposta, conforme entendamos que sejam caminhos do Império tudo o que contribua para a infinita difracção de cada alma no prisma infinito dos caminhos da possibilidade ("Sermos tudo", como dizia Pessoa, sermos "Como os deuses que conhecem o bem e o mal", como dizia a velhíssima Serpente bíblica...) ou que sejam esses caminhos tudo o que contribua para o combate e a contenção da parte material (terrena, se preferirmos), do Manto de Trevas que recobre o mundo em que estamos (e que, por isso mesmo, nos recobre a nós também).

Dito de outra forma: há uma determinada Estratégia Imperial quando o objectivo é o da libertação, à imagem do Nada, da infinita aparência das coisas, e há uma outra Estratégia Imperial quando o objectivo é o da libertação, à imagem da Vitória, da infinita apetência das coisas (não há nada mais ávido do que os demónios...).

No fundo, o que esta escolha pressupõe é saber se o nosso Ser é como o Oceano, informe e idêntico a si mesmo num imenso infinito sonho, ou se é como o Reino, hierárquico e polarizado num Rei e num Centro ou Eixo (simbolizado pela Cruz para um cristão e num Pólo, numa Árvore Sagrada ou numa Montanha em outras espiritualidades).

Para que não nos percamos (ainda estamos longe da CPLP mas, oh Arnaldo Norton, você é que despejou o cesto em cima da mesa...), poder-se-á começar a entender porque é que há duas leituras possíveis (mas, inconciliáveis?) do significado dos tempos de "paz e espiritualidade" antevistos pelo profeta Daniel...

Para uma ocasião seguinte, porque isto vai longuíssimo já, ficarão a globalização, o capitalismo e uma certa "moderna Europa" como os rostos visíveis do nosso actual adversário e, por isso mesmo, como as maiores armadilhas para Portugal, nesta fase histórica do seu destino...

1 comentário:

Klatuu o embuçado disse...

O Pessoa ligava tanto às ideias do jesuíta como a um chinelo velho... :)

Quanto ao mais, lá terá de ser.